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A vida em Bullet Points

  • 17 de jun.
  • 1 min de leitura


Dizem que "a fila anda". Talvez ande nos relacionamentos. Já na minha lista de tarefas, ela parece ter criado raízes.


Ela nos persegue pelo celular, mandando alertas sonoros de tudo o que ainda não foi completado. Para quem prefere o caderninho, nem isso resolve: as tarefas não riscadas ficam ali, silenciosas, aguardando o momento de despertar a culpa.

 

Tenho a impressão de que as listas de tarefas se reproduzem durante a madrugada. Vou dormir com oito itens e acordo com quinze.

 

Cumprir uma To Do List é como correr na esteira vendo uma paisagem virtual: a trilha avança, mas quem continua parado somos nós.

 

Outro dia risquei "trocar a lâmpada da cozinha" e, quando voltei à lista, ela já tinha gerado "limpar o lustre", "organizar a área de serviço" e "pesquisar iluminação para ambientes pequenos".

 

Às vezes tento me lembrar quem colocou tudo aquilo na lista. Não encontro outra explicação senão a de que as listas ganharam vida própria e passaram a escrever novos itens quando ninguém está olhando.

 

Suspeito que exista um aplicativo clandestino frequentado exclusivamente por tarefas. Lá, num ambiente chamado Todobook, elas trocam informações e combinam estratégias para nunca desaparecer completamente.

Até flagrei uma luz acesa suspeita uma noite dessas no meu celular.

 

Talvez eu devesse anotar "não fazer nada" no topo da lista. O problema é que, conhecendo seu gosto pela provocação, ela logo acrescentaria três subtarefas, dois lembretes e um prazo final.

 

E ainda me enviaria uma notificação perguntando por que a tarefa está atrasada.

 

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