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Bandeira Branca

Tem um momento na vida em que é melhor hastear a bandeira branca e desistir de lutar – continuar a travar batalhas perdidas só agiganta o inimigo que vive dentro de nós.


É revisitar as bases que abandonamos por medo ou fraqueza, e acreditar que agora adquirimos forças para recuperá-las. Mesmo que a vida nos tenha fortalecido, lutar por essas bases, hoje, só nos faria ver que elas nunca foram nossas.


É minimizar as baixas no nosso exército de projeções otimistas, tentando justificá-las pelo imensurável, imprevisível. Isso só serviria para colocar novas imprudências na linha de frente.


É escavar as valas fundas em que deixamos projetos de vida natimortos, à procura de uma cura milagrosa. Esforço inútil, pois estaríamos só tentando dar uma sobrevida a ideias que mereceriam uma reencarnação em outro corpo.


É escavar as campas em que enterramos amores decompostos, na ilusão de que eles tivessem permanecido embalsamados. Mesmo que estivessem intocáveis, seriam somente mortalhas ocas, refletindo, como espelhos, o amor que um dia sentimos.


Batalhas perdidas. Depois de muitas vidas vividas, chega um instante em que temos que nos reconciliar com elas para seguir em paz – e esse momento, para mim, é agora.

Bandeira Branca.

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