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Chim chiminey Chim Ch-ree... lá vou eu!

Desde os meus tempos de adolescência a figura de Mary Poppins, interpretada por Julie Andrews, me encanta. E não é pelo papel meloso que desempenhou no filme, mas pelo fascínio que a forma como ela se transportava exerce em alguém que, como eu, sempre sonhou em flutuar pela vida.


Um guarda-chuva para alçar voo, uma simples maleta onde cabe tudo o que faz sentido. Leveza para ir em busca de uma próxima parada, seja ela de corpo ou de espírito.


Houve um tempo em que o vento no guarda-chuva soprava quente como aquele que vem do noroeste, antecedendo a tempestade. Em rodopio, eu penetrava em lugares ainda inexplorados em mim mesma, por entre personagens dos livros que lia, letras das canções que me emocionavam, diálogos intensos com meus guias de luz e demônios crepusculares. A viagem era pelo interior da minha lareira; longa, profunda, esfumaçada.


Até que veio o tempo em que um vento haragano me impulsionou para fora da chaminé. Pronta para alçar voo em busca do meu lugar no mundo. Assim como Mary Poppins, me projetei pelos novos caminhos da vida, chamuscada ainda pelas cinzas que provoquei, mas a levitar, acima de tudo aquilo que pesa, prende, limita.


Só, com minha maleta para armazenar memórias significativas e um guarda-chuva encantado, lá fui eu, cantando Chim chiminey, Chim chiminey, Chim chim Ch-ree.

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