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Dilema

Cândida vivia um grande dilema – era chegado o momento de cortar o cabelo, mas precisava decidir que efeito esperava desse corte. Precisava que ele crescesse rápido, então teria que ir ao salão durante a Lua Crescente; mas também queria dar mais volume ao penteado, então teria que esperar a Lua Cheia. Por outro lado, não podia se esquecer da saudabilidade que seus fios teriam se cortasse na Lua Minguante. Entrou em crise. Jamais ousaria contrariar os astros portanto teria que fazer sua opção – o que seria mais importante nesse momento? De repente se lembrou de um requisito primordial, como podia ter se esquecido disso! Estava no momento de pintar o cabelo e tinha resolvido mudar de cor, então teria que esperar a Lua Nova.


Chegado o dia da remodelação do visual, preparou-se para sair de casa. Ao abrir a porta, se deparou com uma escada encostada no poste de iluminação com uma pessoa encarapitada lá em cima realizando algum conserto na fiação. Imediatamente ela pulou para o meio fio, mesmo correndo o risco de atropelamento – passar embaixo de uma escada nem pensar!


O caminho para o salão passava por uma pracinha, e Cândida viu seu ânimo crescer ao ser agraciada com a visita de uma joaninha que, delicadamente, pousou em sua mão - sinal de que teria muita sorte na sua empreitada capilar.


Uma golfada de vento a pegou de surpresa, mas ela, espertamente, segurou a careta natural que as pessoas fazem nesse momento, pois é sabido que o rosto ficaria assim, desfigurado para sempre. Continuou confiante seu caminho.


Ao dobrar a esquina, começou a sentir uma quentura na orelha que não era um bom presságio – quem estaria falando dela? Tinha comentado com algumas amigas sua intenção de mudar o visual hoje, então devia ser alguma invejosa agourenta. Rapidamente procurou um banquinho de madeira embaixo da marquise do ponto de ônibus e bateu três vezes – vai de retro!


Com o coração um pouco inquieto diante do desafio que iria enfrentar em relação à época escolhida para o trato das madeixas, chegou na entrada do salão. A porta estava destrancada, para que as clientes pudessem entrar livremente, mas Cândida tocou a campainha, esperando que alguém viesse recebê-la – importante que a anfitriã abra e depois feche a porta para garantir que a visitante será benvinda na próxima vez, né?


Sentada em sua cadeira para iniciar a reformulação do visual, fez seu pedido à estrela cadente que tinha fotografado no céu de Lua Nova da véspera e entregou-se à sorte, não sem antes cruzar os dedos da mão ...e do pé.


O resultado é só conferir na ilustração que acompanha essa crônica!

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