PVD
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Sonhei com um caderninho brochura.
Capa marrom.
Letras pretas em relevo na capa.
P V D
Logo me vi de uniforme escolar, mordendo um pouco o lábio inferior.
Estava perdida. Melhor nem ir ao catecismo.
Se era PVD por que não decorei?
Era essa a pergunta que a Madre superiora iria me fazer.
Acordei rindo, apesar das gotinhas que brotaram na minha testa.
Aí me veio a ideia: e se existisse um PVD para a vida adulta?
Tipo:
PVD. Se você emprestar um livro de que gosta muito: anote para quem.
Não vá ao supermercado com fome.
“Vou só dar uma olhadinha no celular” não leva cinco minutos.
Se o sapato machucou na loja, não ficará confortável na festa.
“Vamos marcar” não é um convite.
Não responda e-mail com raiva. Muito menos WhatsApp.
Quando alguém disser “é só atualizar”, faça backup.
Se você guardou uma coisa “para uma ocasião especial”, talvez a ocasião especial seja hoje.
Não deixe para dizer depois aquilo que importa.
Não espere que o outro adivinhe.
Algumas pessoas não vão mudar só porque você explicou melhor.
Nem toda discussão precisa de vencedor. Algumas precisam apenas terminar.
O tempo que você está esperando “sobrar” não sobra.
Você não precisa ter a última palavra.
E nunca diga: “Comigo isso não acontece”. PVD
Fechei mentalmente meu novo caderninho.
Capa marrom.
Letras pretas em relevo.
P V D
Para Você Decorar.
Sorri.
Setenta anos depois, finalmente entendi o problema.
Eu sempre decorei.
Só nunca obedeci.



Claro, era PVD e não PVO