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PVD

  • há 3 horas
  • 1 min de leitura


Sonhei com um caderninho brochura.

Capa marrom.

Letras pretas em relevo na capa.

P V D

Logo me vi de uniforme escolar, mordendo um pouco o lábio inferior.

Estava perdida. Melhor nem ir ao catecismo.

 

Se era PVD por que não decorei?

Era essa a pergunta que a Madre superiora iria me fazer.

 

Acordei rindo, apesar das gotinhas que brotaram na minha testa.

Aí me veio a ideia: e se existisse um PVD para a vida adulta?

Tipo:

  • PVD. Se você emprestar um livro de que gosta muito: anote para quem.

  • Não vá ao supermercado com fome.

  • “Vou só dar uma olhadinha no celular” não leva cinco minutos.

  • Se o sapato machucou na loja, não ficará confortável na festa.

  • “Vamos marcar” não é um convite.

  • Não responda e-mail com raiva. Muito menos WhatsApp.

  • Quando alguém disser “é só atualizar”, faça backup.

  • Se você guardou uma coisa “para uma ocasião especial”, talvez a ocasião especial seja hoje.

  • Não deixe para dizer depois aquilo que importa.

  • Não espere que o outro adivinhe.

  • Algumas pessoas não vão mudar só porque você explicou melhor.

  • Nem toda discussão precisa de vencedor. Algumas precisam apenas terminar.

  • O tempo que você está esperando “sobrar” não sobra.

  • Você não precisa ter a última palavra.

  • E nunca diga: “Comigo isso não acontece”. PVD

 

Fechei mentalmente meu novo caderninho.

Capa marrom.

Letras pretas em relevo.

 

P V D

 

Para Você Decorar.

 

Sorri.

Setenta anos depois, finalmente entendi o problema.

 

Eu sempre decorei.

 Só nunca obedeci.

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Lucilinha
há 3 horas
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Claro, era PVD e não PVO

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©2021 por Pincel de Crônicas

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