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Quando duas palavras resolvem morar juntas

  • Foto do escritor: Ana Helena Reis
    Ana Helena Reis
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura


“Sentipensante” — A primeira vez que li, acho que num texto relacionado à física quântica (o que só piorou a situação), para mim meio parecida com CatDog (lembram do seriado?) ou de uma aberração ainda maior: o Feijoaçaí. Só de pensar, me embrulha o estômago.


Corajosa que sou, fui em frente na leitura e descobri que “sentipensante” é uma palavra híbrida, dessas que misturam o frio da cabeça com o calor do peito, sem pedir licença para nenhuma das duas. Lindo isso, não? Fiquei íntima dela e agora, quando alguém questiona uma decisão minha que briga com a razão ou com a emoção, eu logo retruco: sou Sentipensante e coloco um ponto final.

Logo imaginei que “Sentipensante” poderia ter vários amigos híbridos — quem sabe até formassem um grupinho nas redes sociais, daqueles discretos, mas cheios de opinião.


Fui atrás e descobri a Escrevivência, boa para um papo longo de botequim. Lá nos sentamos, e ela me lembrou de que não existe escrita sem vivência — queijo com goiabada: um não existe sem o outro. O que estava eu fazendo, então, que não entrava a fundo na minha vida vivida para colocar no papel?

Comecei, então, a rebobinar a meu passado, à procura daquele negativo nunca revelado que ficara na minha câmara escura, sem nunca participar do set da minha escrita.


Mas aí a Experipensante, que observava o papo de outra mesa, se meteu: alto lá! Não se pensa antes para depois viver, pensa-se vivendo. Então corre lá viver isso tudo que brotou aqui. E eu, sem pedir licença — e talvez um pouco empolgada demais — inaugurei uma outra palavra: Expersentipensante. Até sorri da minha ousadia. Só faltava coloca-la em prática.


Resumo da ópera: a língua inventa palavras porque a vida não cabe mais no dicionário. Aí surgem palavras híbridas que, como na vida, decidem morar juntas — mesmo que o dicionário torça o nariz.

2 comentários

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Marilena Camargo Martensen
há 17 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Engraçado desde sempre gosto de juntar palavras que me fazem sentido. Hoje me deparei com esse texto maravilhoso que me fez fazer parte de um universo. Parabéns.

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Convidado:
há 15 horas
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Obrigada, amiga! essa junção de palavras faz todo o sentido, né? muitas vezes consegue expressar melhor o que queríamos dizer e, pelo visto, é uma licença poética que nosso dicionário aceita, mesmo que torcendo o nariz.😂 bj

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