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Meu Neruda

Hay dias que no sé lo que me pasa

Eu abro o meu neruda e apago o sol

O escuro me invade, envolve, suspende. Produzo pouco.

A melancolia domina, me abrigo em um casulo. Hiberno. Indolente.

A nostalgia povoa minhas cartas não endereçadas, as canções não entoadas.

Passo em revista os atos, os fatos, retratos.

Nutro minhas raízes. Armazeno, saberes, quereres, poderes

Aguardo


Hay dias que no sé lo que me pasa...

Eu fecho as janelas para a luz.

O brilho do sol me exaure, esgota, esfalece.

Procuro mantos, tetos, recantos. Desidrato. Procuro sombras, desfolho excessos. Sucumbo. Me recolho, contemplo, suspiro. Respiro fundo, retardo, abrando.

Revolvo raizes secas, reponho minha seiva, recupero minha chama.

Recrio forças, revisito textos, reconcilio sentimentos,

Revivo


Hay dias que no sé lo que me pasa...

Eu abro uma fresta para o sol.

O vento fresco me agita, excita, liberta. Polinizo.

Me deixo acasalar, procrio textos.

A inquietação é criativa, intensa, excessiva. Entro em fluxo de quefazeres. Me expando. Deixo fluir amores, rancores, pesares. Volto à tona, rio à toa, , saltito à toda.

Meu coração em alvoroço, prenuncia um bafo quente, confortante,

Agito.


Hay dias que no sé lo que me pasa...

Eu abro as comportas para o sol.

O mormaço me preenche, transfunde, reflete. Pululo.

Saio dos becos, das tocas, dos ninhos. Transbordo prazer.

Acasalo frases, cores, fervores. Plena.

Me excedo, me solto, transgrido. Faço de mim uma cascata sem fim.

Desgovernada, faceira, jubilosa. Danço, canto, declamo,

Deliro.



Hay dias que no sé lo que me pasa.

Misturo poesia com cachaça...


***


Inspiração: Cotidiano2 – de Vinícius e Toquinho

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