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Mini nome

Ando impressionada com o estreitamento dos nomes próprios. Como tenho um nome que ocupa duas linhas de qualquer formulário e isso me causa uma série de problemas, comecei a pensar no estudo dos nomes ou antroponímia.


Entre os povos mais antigos, a escolha do nome era motivada pela procura da proteção divina para os filhos. Com o advento do cristianismo, a tendência a dar nomes divinos prosseguiu sob a forma de homenagem aos santos e santas da Igreja Católica.


Passaram a ser comuns, no Brasil, os nomes compostos usando Maria, Ana, Aparecida, ou José, Pedro, Antônio, entre outros, combinados com prenomes ligados a figuras bíblicas ou uma tradição familiar importante que os pais queriam transmitir a seus filhos. Considerando esses nomes com duas palavras, a quantidade de letras envolvida era, pelo menos, de uns nove caracteres, como seria o caso de Ana Maria.


Aos poucos, esse preceito religioso foi deixando de ser a motivação maior para a escolha do nome dos bebês, e o fator moda passou a imperar. Vieram ondas de nomes ligados a personalidades internacionais famosas, jogadores de futebol, protagonistas de novelas televisivas e assim por diante, com as mais esdrúxulas combinações e ofensas à língua portuguesa, que fariam nosso Antônio Houaiss corar.


Nesses casos, os nomes próprios escolhidos poderiam ser simples ou compostos, mas surgiu também uma modalidade de juntar dois prenomes famosos em um nome único, onde o que prevalecia era a sonoridade do resultado, sem nenhuma relação com o léxico.


Mas, voltando à questão do encurtamento dos nomes, paralelamente à sua escolha os apelidos sempre existiram, independente do tamanho dos prenomes a que se referiam. Muitos bebês já nasceram com um apelido pré-designado, e foram a vida inteira chamados pelo apelido.


O mais comum era escolher uma pequena parte do nome, às vezes duas letras repicadas, às vezes só a primeira letra, o que o tornava mais informal delicado, carinhoso.  Esse hábito foi se tornando quase uma regra, e são raras as pessoas que não têm um apelido ou um diminutivo pelo qual são chamadas.

Isso fez com que, aos poucos, o que era uma forma simpática e muito bem aceita de abreviação do nome passasse a ser adotada como o nome próprio de uma nova geração de bebês, nascidos nessa era dos emoticons e da linguagem das redes sociais.


Nomes próprios com somente duas ou três letras ficaram cada vez mais comuns no Brasil, rompendo uma verdadeira tradição de pelo menos dois prenomes e dois sobrenomes, que caracterizava nossa antroponímia.


Mas, como tudo evolui na linguística e nos costumes, esse encurtamento de nomes certamente será superado por outra onda. O que será que vem por aí?

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