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Vamos barbarizar!

há 10 horas
1 min de leitura

Me virei na cama. Entre o sono e o sonho:

Queria só beber.

Girei.


Bebê que sorria.

Contei as letras. Nenhuma sobrava. Nenhuma faltava.

Foi então que percebi: naquela noite, eu era um caleidoscópio.


Meu poder não era criar palavras, mas embaralhá-las. As letras continuavam todas ali. Só mudavam de lugar. E, com isso, mudava tudo.


No mundo dos sonhos, fui contratado como revisor de um jornal.

Entrei na redação disposto a revolucionar o ofício. Adeus, manchetes sensacionalistas! Bastava uma giradinha e uma notícia desalentadora poderia ganhar outro sentido.


Fui parar na seção de notícias do cotidiano.

Comecei por uma que havia me feito rir no dia anterior:

Homem casado é morto por moto de menina Z..., meio vesga, que morou oito meses presa no sótão pelo tio.

Girei.


As palavras se embaralharam.

Preso homem amoroso que é investigado por estelionato e, ao mesmo tempo, namorou dezoito moças...

Interessante.

Mas faltava alguma coisa.

Foi quando surgiu, ao meu lado, um sujeito de chifres vermelhos e espírito de porco.

— Vamos barbarizar?

Aceitei a sugestão.


Girei outra vez.

Homem que namorou dezoito moças ao mesmo tempo é investigado e preso por estelionato amoroso...

Estelionato amoroso? Por essa nem eu esperava.


Eu já estava gargalhando quando acordei.

Corri para o papel e anotei as duas versões antes que desaparecessem.



Voltei para a cama.

E dormi de novo.

1 comentário

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El Fantasma
há 7 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Minha escritora de cotidiano absolutamente no topo! Aplausos! E sempre torcerei pelo sucesso profissional e pessoal desse ser tão especial, nem que seja escondido no nevoeiro da vida

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©2021 por Pincel de Crônicas

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