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Vênus sob cerco

  • há 19 horas
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 9 horas

 


Diz-se, desde muito tempo, que somos de Vênus — a deusa romana do amor, da beleza, da fertilidade, da paixão.

Talvez por isso tenhamos sido educadas, durante séculos, para preservar o vínculo a qualquer custo. Para compreender antes de julgar. Para acolher antes de confrontar. Para duvidar de nós mesmas antes de duvidar do outro.

Essa disposição para o cuidado, que também é uma das maiores forças da experiência feminina, pode ser manipulada por quem aprende a explorá-la.


O agressor raramente começa com a violência explícita. Ele começa com pequenas fissuras na realidade: uma frase que não foi dita, um fato que teria sido imaginado, uma lembrança que, segundo ele, está errada. Aos poucos, o chão da mulher vai sendo retirado sob seus próprios pés.

Quando ela já não confia totalmente na própria memória, na própria percepção, na própria lucidez, torna-se mais fácil aceitar o inaceitável.


Esse tipo de manipulação tem um nome: gaslighting.

O termo vem do filme Gaslight (1944), estrelado por Ingrid Bergman. Na história, um marido manipula pequenos acontecimentos do cotidiano para convencer a esposa de que ela está enlouquecendo.


Entre as formas de violência psicológica contra a mulher estão o isolamento, a vigilância constante, os insultos e essa distorção deliberada da realidade que corrói lentamente o amor-próprio, a autoconfiança e a sanidade psicológica — bases mínimas para uma vida digna.

A violência nem sempre termina em morte física. Muitas vezes ela opera lentamente, em silêncio, antes de chegar ao seu desfecho mais brutal.


E talvez seja por isso que

.

Segundo estimativas globais da ONU Mulheres, 85.000 mulheres e meninas foram mortas intencionalmente em 2023. Desses homicídios, cerca de 60% — 51.000 casos — foram cometidos por parceiros íntimos ou outros membros da família.

Isso significa que 140 mulheres e meninas são mortas todos os dias por pessoas do próprio convívio. Em média, uma mulher ou menina assassinada a cada dez minutos.


No Brasil, os dados mais recentes indicam que 1.492 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2024, o equivalente a cerca de quatro assassinatos por dia. Levantamentos divulgados em 2026 apontam que o número pode ter chegado a 1.568 casos em 2025, o maior já registrado desde que o crime foi tipificado no país, em 2015.


Diante desses números, talvez a pergunta inevitável neste Dia Internacional da Mulher seja:

 

o que exatamente estamos celebrando?

2 comentários

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há 15 horas

Li o texto, confesso que achei lindo, maravilhoso,eu queria apenas saber quem é o autor e/ou a autora, uma linguagem simples, direta, que contagia a gente do começo ao final, parab´pens a todos aqueles que escrevem aqui. Eu mesmo, desejaria estar sendo lido, afinal, a escrita é uma forma de dialogar com as pessoas de maneira clara, de dentro pra fora.


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Ana Helena Reis
Ana Helena Reis
há 13 horas
Respondendo a

Ola! Obrigada pelo comentário,

Quem escreve é Ana Helena Reis- todos os textos e ilustrações são meus.

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Abraços

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