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Ao mestre, com carinho

15 de out.
2 min de leitura

O Dia do Professor se aproximava.

Lucas queria dar um presente especial ao seu professor preferido, o de Biologia.

Gostava dele. Gostava da matéria. E, naquele ano, queria fazer algo diferente.

O professor era apaixonado por répteis e vivia sozinho desde a morte da esposa. Lucas achou que um presente vivo poderia fazer companhia ao mestre.

Começou a pesquisar.

Pensou em um jacaré.

Descartou.

Talvez o professor não tivesse espaço suficiente para um animal daquele tamanho.

Fez então uma lista de requisitos para o futuro presente:

  • Não fazer barulho.

  • Não atacar.

  • Não fazer muita sujeira.

  • Não precisar de muita comida.

  • Não destruir móveis.

  • Não comer roupas nem livros.

  • E, principalmente, não exigir atenção o tempo todo. O presente perfeito precisava ser praticamente autossuficiente.


Passou alguns dias revisando mentalmente seu repertório de répteis.

Sapo? Barulhento.

Cobra? Perigosa.

Jabuti? Bonzinho, mas precisava ser alimentado.

A solução apareceu numa noite quente, quando Lucas olhou para a parede do quarto.

Uma lagartixa.

Claro!

Silenciosa. Pequena. Inofensiva. Não comia livros, não destruía móveis e cuidava sozinha da própria alimentação.

Passou com louvor na prova.

Só faltava capturá-la.

Não foi fácil.

Depois de muita perseguição, encurralou a bichinha e conseguiu colocá-la numa caixa com furinhos.

Estava pronto o presente.


No dia 15 de outubro, Lucas entrou na sala segurando a caixinha.

Quando chegou sua vez, entregou-a ao professor.

Na tampa, havia uma mensagem:

Ao mestre, com carinho, um companheiro fiel para suas noites solitárias.

O professor leu.

Ficou com os olhos marejados.

Abraçou Lucas e não conseguiu dizer uma palavra.

Lucas voltou para casa sem saber se tinha acertado ou errado na escolha.


Anos depois, já formado, encontrou o antigo professor de Biologia.

Ele sorriu.

— Sabe que o Lucartixa continua me visitando todas as noites?

 

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