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O caso da mala preta

Existe todo um mistério em torno de malas pretas, e não é por menos – elas sempre foram, na literatura, nos filmes, e até nas páginas de jornais, uma peça-chave para desvendar mistérios, crimes e atos suspeitos.


Cabe lembrar que “mala preta” virou uma gíria que caracteriza, no âmbito esportivo por exemplo, o suborno de jogadores, o conhecido corpo mole com o objetivo de entregar o jogo para o adversário.

Também não há quem não se lembre de uma mala preta (e aí não foi somente uma mala mas inúmeras) recheada com cinquenta e um milhões de Reais encontrada num apartamento em Salvador, de posse de um conhecido ex-ministro.


Nessa linha da política, outro caso famoso em que o pivô foi uma mala preta ocorreu em uma conhecida pizzaria em São Paulo, envolvendo até um assessor da presidência. Continha, em dinheiro vivo, o pagamento de quinhentos mil reais, que seria uma simples parcela do montante da propina a ser entregue.


Para fazer jus ao protagonismo dessa peça em atos ilícitos, não se pode deixar de mencionar, também, que ela foi fundamental em crimes hediondos, por ser um ótimo receptáculo para esconder corpos inteiros ou em partes, dependendo do tamanho do cadáver e da mala disponível.


Em uma vasculhada nos registros históricos, creio que o primeiro caso desse tipo de crime no Brasil remonta a mil novecentos e oito, quando o comerciante Michel Trad matou seu sócio Elias Farah e posteriormente, a bordo do navio Cordillère, tentou lançar o corpo ao mar em uma mala. Daí se seguiram outros adeptos desse estratagema, como Giuseppe Pistone, que assinou sua esposa em mil novecentos e vinte e oito no bairro da Luz, em São Paulo, e ocultou seu corpo em uma mala. A mala preta esteve presente novamente em outros relatos macabros nos anos de mil novecentos e cinquenta e oito e cinquenta e nove, tornando-se a maneira mais popular e menos criativa de esconder corpos, praticada seguidamente por criminosos ao longo do tempo.


Não há muito tempo, um caso de esquartejamento e ocultação do corpo em uma mala, que ocupou o noticiário por meses, foi o do empresário Marcos Kitano Matsunaga, assassinado por sua esposa Elize.

A mala preta. Sempre ela, ali presente, parte integrante dos crimes, depositária, em suas entranhas, de segredos muitas vezes nunca revelados sobre o crime.


Esse não foi o caso, porém, de uma mala preta, daquelas tipo 007, designação imortalizada por James Bond em “007, O mundo não é o bastante”. Como todo executivo que se preza, nos idos de mil novecentos e noventa um professor universitário, com uma carreira bastante conhecida não só nos meios acadêmicos como políticos, tinha como hábito repousar uma mala preta na mesa à sua frente, enquanto fazia a preleção.


Bastante sério e um pouco enfadonho nas suas colocações, pois falava em voz baixa, muito devagar e com largos períodos de silêncio em que olhava para o além, era um prato cheio para piadas de uma turma de alunos bastante irreverentes.


Nunca utilizava, em aula, o conteúdo da mala – ela permanecia fechada o tempo todo, marcando presença em cima da mesa. Os livros e material didático eram carregados fora da mala, o que causava grande curiosidade – o que haveria naquela 007?


As conjecturas a respeito foram se avolumando: Gibis? revistas pornô? A Bíblia para ler no ônibus? Os alunos chegaram até a pensar em numa operação estratégica para distrair a atenção do mestre, enquanto um deles, mais ousado, se aproximasse e, disfarçadamente, abrisse a mala. Mas não foi preciso...


Chegou o dia em que o enigmático professor, nunca se soube por que motivo, abriu a Caixa de Pandora por alguns segundos, mas o suficiente para que os da primeira fila conseguissem enxergar seu conteúdo e desfizesse o enigma, que foi imediatamente divulgado aos gritos para os das outras fileiras.


A turma veio abaixo: a mala preta era repleta de balas, bombons, biscoitos e chocolates!!!


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